COMO DEIXAR DE USAR PAPINHAS INDUSTRIALIZADAS


Eu particularmente não usei papinhas prontas porque eu sempre cozinhei nos finais de semana e durante a semana, momento em que eu estava trabalhando, a nossa babá fazia esta tarefa conforme  um cardápio semanal que eu mesma montei conforme a lista de combinações de alimentos (Acesse esta lista clicando AQUI). Quando viajamos com o Bzão eu fazia a comidinha dele no destino, em caso de casa da família, já em locais em que não havia estrutura para tal, levei a comida pronta e  congelada (veja como proceder, em caso de viagens, clicando AQUI). 

Se você encontrou esta postagem é porque deseja reverter este quadro, deixar de usar as papinhas prontas e começar a introduzir a alimentação da casa, isto já é o 1º passo: Reconhecer que necessita a mudança.

2º  Prove os sabores dos potinhos - em especial o de carne, verás que o sabor não é igual ao fresquinho, para mim, por exemplo sinto gosto de metal. Partindo deste pressuposto pode-se mudar do potinho para a comida de casa. Eu sempre provei tudo antes, mesmo sabendo como seria o gosto, até remédio eu tomo antes e sabonete/ shampoo eu coloco nos meus olhos para ver se não arde mesmo. Por exemplo, a marca que comercializa a linha Bons Sonhos da cor violeta é tão forte que gera alergia em mim imagine no meu baby! A essência entra na narina como um objeto cortante. Considero forte para um bebê, entretanto, certo dia, acabou o da Huggies - Turma da Mônica (que amo!) e então tive que usar o Bons Sonhos, o que aconteceu? Nariz entupido e olhos irritados por conta do aroma em excesso. Concluindo este tópico, se você provar os potinhos verás que o sabor é diferenciado do original.

3º Saber interpretar o rótulo - Primeiro, como sempre, quis ser ética, eu precisava de uma confirmação da própria empresa e então fiz uma ligação para uma das marcas de papinhas e baixei o app "call recorder" para que ficasse gravada a ligação. Solicitei entender o que é cada item composto no rótulo, a atendente informou que, no máximo, em 1 (um) dia eu receberia o retorno esperado. No dia seguinte (ponto para eles) ligou uma senhora se identificando como Nutricionista, explicou o que é maltodrextrina, e o amido de milho. Ela disse que durante o processo de trituração, perde-se a consistência e o amido de milho (maisena é uma das marcas) tem a função dar consistência ( a mesma perdida durante o processo de trituração), por isso vemos bebês tão gordinhos. Em relação ao acidulante descrito também no rótulo ocorre o seguite como o processo de fabricação das papinhas é por meio de máquinas, o sabor do alimento se perde. Para recuperar a "magia” do sabor, o acidulante é acrescentado ao produto. A Sociedade Brasileira de Pediatra não orienta a adição de acidulante em papinhas. 

4º Gráfico Peso x Altura -  Ir ao pediatra para ver a curva de desenvolvimento (ela está na cardeneta de vacinação da criança), tanto o peso, como a altura, sexismos a parte, a cor da página azul é para os meninos e rosa para as meninas, (tem-se que decidir uma cor minha gente!) porque os cálculos para menino variam em relação às meninas. Se a linha está acima da média, tudo bem, mas se está acima na faixa de normalidade, tem-se que avaliar, será que a criança não está ingerindo alguma guloseima ou potinhos em demasiado? Caso a resposta seja não, é algum fator fisiológico que necessita ser avaliado. Caso seja sim, é o momento de modificar os hábitos alimentares da criança (Veja a curva de desenvolvimento nesta postagem clicando AQUI)

Em relação ao que dizem, "faça a seguinte experiência: um pedaço de carne dentro de um 
num pote, fora da geladeira, verás a putrefação em dias, portanto como uma papinha industrializada pode estar nas gondolas dos supermercados por anos, com prazo de validade a perder de vista, óbvio que ha conservantes!" A resposta é simples, o fechamento é realmente à vácuo e isto evita-se o uso de conservantes. Na ligação a Nutricionista da empresa confirmou não ter conservantes (pelo menos isto!)

5º Grupos de Alimentos - Não tem todas as combinações de alimentos necessários para ingestão diária, veja aqui a tabela de combinações, tem potinhos cujo sabor é arroz com carne e batata. Está errado porque tem mesmos itens de um mesmo grupo de alimentos, o arroz e a batata já são carboidratos, poderiam ter trocado por outra hortaliça (legumes + verduras).

6º Textura - Todas as papinhas industrializadas deveriam ter uma textura menos pastosa, para contribuir com o desenvolvimento neuromotor da mastigação e com o exercício da fala. Mesmo um bebê sem dentes come papinhas com pedaços - ele consegue mastigar com a gengiva, o maior exemplo são bebês cuja introdução alimentar foi mediante o BLW. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta a oferta do alimento preparado em casa.

7º Cor e sabor - O pratinho da criança deve ser colorido. Feitas de alimentos misturados, as papinhas industrializadas têm a mesma cor e sabor, o que não estimula a criança a conhecer o que come e ainda pode provocar a neofobia alimentar. Se a cenoura, por exemplo, vem sempre batida com outros alimentos, no dia em que a mãe quiser oferecer a cenoura separadamente, a criança poderá rejeitar esse alimento. 
8º Sódio - As papinhas industrializadas são chamadas de papinhas salgadas por conter sódio. A Sociedade Brasileira de Pediatra não orienta a sua adição em papinhas até os 12 meses e orienta que chamem de papinha principal e não salgada.
9º Fibras - Uma maçã in natura tem, em média, 3 gramas de fibras. No processo de industrialização, parte das fibras é perdida por causa da trituração mecanizada. O rótulo das papinhas apresenta a quantia de 0,8 gramas de fibras. 
10º Água - O primeiro ingrediente das papinhas doces é água. Uma papinha de frutas deveria ter somente frutas.
11º Preço - Uma maçã custa 0,80 centavos (dado da postagem extraída em 2012, supermercado Hiper Bompreço da Av. ACM, Salvador - Bahia ), aproximadamente, a depender do tamanho e região. O valor da papinha de frutas está longe disso.  
12º Alimento escondido - Algumas papinhas doces vem em sachê, totalmente encobertas por embalagens sólida ( não são transparentes). A criança precisa saber o que come.
13º Variedade - A natureza tem um universo de opções, enquanto as papinhas são limitadas. A criança precisa de variedade. Até o momento nunca vi um potinho com quiabo, agrião, brocólis, por exemplo. Isto pode gerar a neofobia alimentar.
14º Sustentabilidade - Uma fruta é facilmente absorvida pela natureza, inclusive sua casca. Os potinhos das papinhas serão reciclados se alguém levá-los aos postos de coleta. O que se vê nas residências, geralmente, é o descarte em lixo comum. 
15º Hipotonia - Os potinhos possuem consistência pastosa, quanto mais se come alimentos macios, mais ocorre a hipotonia, que é a fadiga dos músculos, neste caso, da boca e da língua. Imagine você sem ir a academia por 3 semanas, quando retorna aos treinos, sua performance não é a mesma das 3 semanas atrás. O mesmo ocorre com crianças que só comem pastoso, no dia em que necessitem comer carne, será um desafio e doloroso fazer esta mastigação.
O que podemos fazer para reverter esta situação:
Começar fazendo carinhas engraçadas com os alimentos da casa (no instagram @comidinhasdebebe tem opções divertidas que podem te ajudar), para que esta nova introdução alimentar seja lúdica e harmoniosa, logo em seguida, começar a introduzir a comida de casa, aos poucos e em pequenos pedaços, para que a mudança não gere algum trauma, somente após esta etapa pode-se iniciar a comida que a família come (igual). Esta tarefa exige paciência e disposição dos pais/cuidadores para quererem a melhora da saúde de seu filho.
Se nada disso funcionar, sugiro que busque ajuda médica ou um profissional dedicado a estas situações, no caso um nutricionista pediátrico, que é especializado em materno infantil, com certeza ele saberá atuar nesta situação. 
Um mega beijo no coração e até a próxima!
Revisão do texto: Esta postagem foi feita 2012 gerou uma entrevista em 10/11/2015 para o Portal de Maternidade do Correio da Bahia, cuja matéria final produzida pela Jornalista Ingrid Dragone e pode ser encontrada em:





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